Dark Fusion na Morada dos Mortos
Dark Fusion na Morada dos Mortos
A pesquisa foi feita pela bailarina de dança do ventre e dança tribal Bárbara Suênia, com o intuito de incrementar mais conhecimento ao ramo da arte cênica, tanto para bailarinas da ramificação tribal – dark fusão, como também, para fornecer e fortalecer o elo dança e estudo por pesquisa, usando a observação e a entrevista com pessoas que vivem e ou viveram a experiência da cultura.
Desejamos a todos e a todas, uma boa leitura.
O Dark Fusion possui uma peculiaridade bem mais subjetiva, a
bailarina que se afina com esta ramificação do tribal, busca por lugares de
atmosfera baixa, em outras palavras, lugares onde há um silêncio ensurdecedor,
paz momentânea longe da realidade caótica e psicodélica da cidade.
A dança no cemitério como na maioria dos lugares de ordem pública, segue
alguns parâmetros, tais como, uma breve entrevista, documentação de algum órgão
municipal ou estadual, para poder ter acesso a documentos ou assinaturas de
pessoas que estão representando o cemitério. Vale salientar que em cemitérios
de Cidade Pequena não há tanta burocracia como em cemitérios de cidade grande,
mas, mantém- se o respeito pelos que repousam.
Antes de fazer filmagens e fotografias fiquem atentos as dicas abaixo:
. Fotografias e vídeos sem focar o frontispício dos túmulos e
monumentos;
. Fotografias de participantes não se é aconselhável;
. Fotografias de jazigos, de forma geral, apenas com o consentimento
da família e a assinatura do responsável familiar, pois tudo gira em torno de
leis e parâmetros étnicos. Em alguns casos o Administrador do cemitério pede
assinatura também do órgão municipal e da instituiçco e ou pessoa que pretende
desenvolver alguma atividade no local;
citar sempre que possivel os nomes dos participamtes formais e informais durante o trabalho, seja ele escrito ou atraves de video.
Relatos
Gisélia Jacinto nossa primeira
entrevistada. A mesma relatou os procedimentos, e os
costumes para se enterrar os seus mortos, tendo como base a religião católica e
os costumes que ainda são muito respeitados pela população da cidade.
De acordo com a entrevistada acima, o que
as pessoas observam:
1.
O
número de pessoas que acompanham o cortejo;
2.
A cor
do ataúde (levando em consideração que, antes os caixões não possuíam a
ornamentação que hoje por mais precária que seja a situação familiar, se tem,
como alças de apoio, pés, e janela de vidro para ver a face do ente jazigo);
3.
A
cidade se enluta em caso de repartição pública se for funcionário público ou
funcionário antigo; mas, o luto era e é o dia seguinte após o falecimento da
pessoa, exemplo, morrera na segunda, o luto é no dia seguinte);
4.
Algumas
famílias ainda mandam anunciar atravês do sino da igreja a hora da extrema
unção ou a hora da qual será enterrado (a) a pessoa; este é um dos costumes mais
antigos;
5.
Ataúdes
nas cores: roxo, azul, marrom – cor mais universal, cor pele de cobra; eram
feitos de madeira fraca que era utilizada também para molduras de quadros;
6.
O
Primeiro cemitério da cidade atualmente é parte das terras do juiz Leôncio Câmara,
se tornou um roçado, visto que o cemitério fora destruído após a ação das
chuvas, hoje é conhecido como cemitério Velho, se tornando o Boa Sentença o
segundo e único atual cemitério da pequena cidade de Riachão);
7.
A
família reza o terço na casa do morto no dia seguinte depois do enterro, no
mesmo horário; a quantidade de pessoas que vai orar é a mesma que tem de ir
durante as setes noites;
8.
Antigamente
quem morria em casa ficava na cama, e depois o corpo era levado para o
cemitério em rede;
O segundo entrevistado: Coveiro António Macentino.
O
senhor Antônio trabalha a 22 anos e nos fornecera informações bem locais:
· O cemitério não tem enterrado celebridade
política (a família prefere a cidade de Araruna);
· Famílias de destaque que estão no seio do
boa sentença: Cunhas e Pacheco;
· Grinalda de flores é recente;
· Os retratos então na parte dorsal do
frontispício do túmulo;
· A profundidade dos túmulos é de sete palmos
abaixo, ou seja, 90 cm abaixo do nível. e 2.10 o tamanho do buraco em forma
retangular e a largura do mesmo de 70 com;
· Restos mortais ficam no travesseiro do
caixão. O pé do cadáver fica abaixo da
cruz e a cabeça para frente, ou seja, é enterrado com costume diferente de
várias cidades do nordeste, por exemplo, em João Pessoa os pés do túmulo ou do
caixão aponta para a alameda central ou frente do portão de entrada do
cemitério.
Colunista Bárbara Suênia (Dark Fusion), contribuindo de forma geral para o crescimento do Tribal, em linhas e entrelinhas e vivência do belo (dança-mente- estudo e trabalho).
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